A saúde do nosso descontentamento


Decorridas algumas décadas, especialmente nos mandatos da CDU, os executivos autárquicos refugiavam-se na Lei, para remeter para o Governo Central a responsabilidade pela falta de resolução de qualquer situação que afetasse as populações, argumentando que essa competência lhe estava vedada.
Ao longo desta caminhada, o Poder Local Democrático foi assimilando a ideia de que o seu papel não pode ser o de um parceiro menor, que gere os licenciamentos de obras particulares, produz alguns documentos de planeamento urbanístico, constrói estradas, distribui água, trata jardins, recolhe efluentes domésticos e cobra taxas e licenças.
Hoje, uma autarquia moderna, tem que se assumir como um GOVERNO LOCAL, apontando e partilhando soluções, sempre que daí resulte a satisfação da necessidade básica das populações que tem a obrigação de servir.
Todo o Concelho tem vindo a ser penalizado pela incapacidade do Estado em dar resposta satisfatória à população, na área da Saúde.
Recentemente, em Vieira de Leiria, a população reagiu e, de forma ordeira, tocou a rebate e reuniu-se no Auditório da Junta de Freguesia para debater o que considera serem obstáculos e insuficiências na prestação de serviços que deveriam ser assegurados pelo Posto Médico.
O Auditório foi pequeno para acolher todos aqueles que, sendo vítimas da ineficiência do sistema, queriam ouvir e fazer-se ouvir.
Esta ação, legítima porque se trata de reclamar um direito garantido constitucionalmente, permitiu identificar algumas situações que foram levadas aos responsáveis dos serviços regionais de Atendimento ao Utente, em Leiria, que se comprometeram a tomar medidas para corrigir o que estava mal, mas, até agora, não cumpriram.
A Câmara Municipal, que se fez representar, não pode ignorar as justas reivindicações das populações e tem a obrigação de mobilizar todos os esforços, para fazer acontecer aquilo que os utentes reclamam, tanto mais que não se afigura tratarem-se de situações de difícil resolução.
Exige-se do executivo que providencie a marcação urgente de reuniões com o organismo que tutela a Saúde, exigindo soluções que facilitem a vida das pessoas.
É imperativo resolver a questão do atendimento assegurado à hora do almoço.
É imperativo assegurar que o pedido de receitas não esteja limitado até às 11H00 e se estenda até ao fim do horário de atendimento.
É imperativo que os utentes tenham conhecimento antecipado das vagas de consulta que estão disponíveis em cada dia.
É imperativo pôr de pé uma ação de formação dos funcionários do Posto Médico, abrangendo áreas como a MOTIVAÇÃO, ORGANIZAÇÃO, INFORMÁTICA E TÉCNICAS DE ATENDIMENTO.
Finalmente, é fundamental e inadiável resolver o problema da médica que se mantem, há anos, num regime provisório de substituição de uma colega, porque isso a impede de assumir o estatuto de médica de família e porque a população gosta do seu desempenho profissional e humano.
Dirão alguns, como já diziam no passado, que as ações de formação, ou a alteração do regime de colocação, não são competência do município, mas contraporemos nós, munícipes e utentes, que saiam da vossa zona de conforto, metam mãos à obra e, se necessário, tal como aconteceu com as obras do Centro de Saúde da Marinha Grande, forcem um protocolo de colaboração em que a Câmara assumirá, total ou parcialmente os custos.
Chega de calculismo, do vamos estudar o assunto, do serem necessários pareceres jurídicos.
Quando se quer e aquilo que se quer é o bem-estar e melhor saúde das populações, haverá sempre uma solução.
                                                                                                                                                                                                                                                                            JMG 20170707
Armando Constâncio
Candidato à Câmara Municipal
+Concelho


Sem comentários:

Enviar um comentário