Assisto, da minha varanda, todos os
dias, a mulheres e homens, vasculhando no caixote do lixo. No meio de muitas
coisas já putrefactas, procuram encontrar alguma coisa de que carecem.
Estamos no Século XXI.
O desenvolvimento tecnológico, todos
os dias, todos os segundos, brinda-nos com avanços em diversas áreas da
técnica, que nos leva a pensar até onde vão os seus limites.
Ao assistir a estes atos, pergunto:
- Para onde vamos?
- Onde estamos?
- Onde estamos?
Alguns levam os filhos que esperam nos seus carrinhos de bebé.
Outros com filhos maiores. Que pensarão?
- Que andam ali a fazer os meus pais.
Na sua inocência, mal sabem que
procuram alguma coisa que não têm em casa, alguma fruta em ainda razoável
estado ou uma camisola para vestir.
Dizem que a política resolve o
possível, mas há muitos políticos que não servem a política, servem-se dela
para resolver os seus problemas. Traçam caminhos onde só eles percorrem em seu
proveito.
Para que servem os arautos da
Justiça, os Comendadores, os medalhados importantes a exibirem os seus feitos?
Há caminhos a percorrer, estradas com muitos socalcos, onde é
preciso rasgar os pés e as mãos.
Não se pode subir ao púlpito com ares triunfantes e promessas
vãs.
É preciso descer ao
degrau mais pequeno da vida dos carenciados e lutar por eles em nome duma
humanidade real e levanta-los do chão.
Rui Silva - Aderente do Movimento
e subscritor das listas + Concelho

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