CENTRO DE SAÚDE DA MARINHA GRANDE. PARA QUANDO O FIM DO IMPASSE?

Segundo os censos a população da cidade da Marinha Grande aumentou 6,4% entre 1991 e 2011. Em contrapartida no mesmo período o corpo clinico do Centro de Saúde diminuiu 20%. A saída de médicos para a reforma amputou de uma forma drástica a disponibilidade de médicos não só para fazer face aos utentes que iam ficando sem médico de saúde mas também para todos aqueles que nunca tiveram médicos de família.
Apesar de todo o esforço da Comissão de Utentes em pugnar pelos direitos dos utentes e da defesa do SNS e apesar dos muitos apoios e promessas institucionais, incluindo a autarquia marinhense, a verdade é que não se conseguiu inverter a situação.  
A autarquia, como instituição mais próxima dos cidadãos e dos seus problemas, vai subvalorizando e subestimando as reais exigências dos marinhenses no que respeita ao seu direito por uma prestação condigna dos cuidados de saúde no Centro de Saúde.
Como ainda se devem lembrar, a comissão de utentes do Centro de Saúde da Marinha Grande promoveu uma ação de protesto, “Abraço Luminoso”, em volta do mesmo, em 26/11/2013, onde o Sr. Presidente da Câmara, usando da palavra, se comprometeu a apoiar os utentes na sua exigência por mais médicos de família.
Disse o Sr. Presidente da Câmara que teve uma reunião em Coimbra, com a Administração Regional de Saúde do Centro e veio de lá com uma mão cheia de nada. Para o Sr. Presidente o assunto está tratado, já terá feito o que tinha a fazer e daqui lava as mãos como Pilatos. Sabemos das dificuldades que impõe o estado de crise em que vivemos, sabemos que não é com a contratação de empresas de prestação de serviços clínicos que este problema se resolve. Mas também sabemos que a nível nacional muitos destes problemas se resolveram com acordos entre municípios e ARS. Até à presente data, mais nada foi feito de concreto e de palpável, tal como já aconteceu em tantas outras vezes no passado.
É então que o +Concelho apresenta na reunião do Executivo, de 12 de Dezembro, uma proposta que visava, sobretudo, o comprometimento da Câmara para com uma solução negociada com a A.R.S., através de eventuais protocolos a serem estabelecidos entre as duas entidades e em relação ao qual ficaria salvaguardada uma dotação orçamental.
O simples facto de poder constar uma dotação orçamental para esse fim, constituía não só a concretização do compromisso da Autarquia para com os utentes, mas também ser um importante trunfo negocial quando apresentado pelo Sr. Presidente da Câmara à A.R.S., disponibilizando-se a comparticipar em metade dos custos para as obras do Centro da Saúde, como também uma forma de pressão sobre a mesma A.R.S. para que fossem concretizados os protocolos para a realização das referidas obras.
A proposta gerou uma reação negativa e foi fortemente atacada, em especial, pela coligação da CDU e PS, acusando o +Concelho de populismo, irresponsabilidade e falta de enquadramento legal da sua proposta.
Se apresentar uma proposta que tem por objetivo criar condições para uma melhoria do atendimento dos utentes e pugnar por mais médicos para as 9000 pessoas que atualmente não têm médico de família, e que desta forma possam passar a ter um serviço médico de referência, significa ser-se populista, então nós somos populistas.
Se por apresentar uma proposta, tão simples quanto isso, uma proposta, que mais ninguém apresentou, com o objetivo de defender a dignidade e os legítimos interesses da nossa comunidade, significa ser-se irresponsável, então só teremos de lamentar o conceito de responsabilidade das pessoas que governam este concelho e se limitam a promessas e deveremos preocuparmo-nos com o que poderemos vir a esperar no futuro.
A proposta tem o enquadramento legal que as pessoas de boa vontade lhe queiram dar. A alegada "falta de enquadramento legal" mais não é do que uma falácia e uma forma habilidosa, dos que decidem, fugirem às suas responsabilidades para com os munícipes.
Obviamente não passa pela cabeça de ninguém, substituir a ARS na execução das obras no Centro de Saúde. O valor proposto pelo +Concelho permitiria o protocolo com a ARS, que tornaria possíveis as obras necessárias à instalação de Unidades de Saúde. A vontade das pessoas move montanhas, é preciso querer, alma e génio. Quando nada disto existe, resta o imobilismo, o conformismo e desinteresse. E, infelizmente, é neste ponto que estamos.
Se este é ou não é o caminho para resolver este impasse, não sabemos. Mas sabemos que é um dos caminhos e como ninguém teve a ousadia, coragem e inteligência para mostrar outro, para nós este continua a ser o único caminho.
A que é que se deveu uma reação tão extemporânea e desproporcionada como aquela que se assistiu? Medo das nossas propostas?
Sabemos que somos incómodos, que propomos coisas incómodas, mas a população deste concelho não nos elegeu para termos posições cómodas e conformadas.
Nós vimos da massa anónima de cidadãos deste concelho, enfrentámos todas as dificuldades e aqui estamos para enfrentar todos os desafios que por aí venham.
Para este executivo, o importante é o formalismo e não a substancia. José Saramago disse “Temos uma democracia formal, precisamos de uma democracia substancial”
Substancia, meus senhores. Precisamos de coisas concretas, práticas e consequentes. E o que temos são formalismos vazios, despidos de conteúdos. Ou seja, nada.
Vem agora a atual vereadora com o pelouro da saúde falar no tal protocolo com a ARS para criar condições à vinda de mais médicos o que passaria pela comparticipação da autarquia nos custos, mas para haver comparticipação deve haver dinheiro previsto no orçamento e isto a vereação recusou. Diz ainda a vereadora, que se os médicos não vierem vai para luta, mas na luta anda há muitos anos a Comissão de Utentes sem que as diferentes vereações da Câmara se tenham verdadeiramente empenhado nela.
Mais, a atual vereadora já está a preparar o seu plano de fuga, que passa pela desculpabilização, e assumir um papel de vítima da política do governo central, e ainda nem sequer fez nada. Pois é senhora vereadora, é bom que se ponha na linha da frente e se bata de forma determinada pela resolução deste problema, mas que a tal linha da frente não se fique apenas pela mera propaganda.
Afinal a Proposta de +Concelho sempre valeu a pena.
Talvez muitos não se lembrem ou tenha esquecido, mas nós relembramos, são os munícipes deste concelho que estão a pagar para que aqueles que foram eleitos trabalhem, construam e encontrem as soluções para os seus problemas, sejam elas mais fáceis ou extremamente difíceis.
Os grandes Homens e os grandes Lideres respondem a grandes desafios, e mais, vencem-nos.
Rui Silva
+Concelho
Jornal da Marinha Grande, 31 de Dezembro de 2013

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