O DESACORDO DO ACORDO

Finalmente temos acordo de governação no executivo marinhense.

Foi bom que esta novela tivesse acabado, porque há muito que fazer no concelho e esta indecisão em nada ajudava.

O que tenho é sérias dúvidas que este acordo resista a quatro anos de governação.

Logo de início as coisas não começaram bem, com PS e CDU a comunicarem o acordo em separado. Não é bom pronúncio.

Independentemente de tudo o resto, o facto é que temos um executivo com maioria absoluta, resultado dos acordos feitos entre o PS com PSD e com a CDU.

Mas este acordo alargado merece alguma análise. Apetece dizer que os sapos deste concelho devem pensar seriamente em fugir para bem longe, porque aproxima-se uma época de degustação de sapos vivos, o que pode por em causa esta espécie no concelho.

O acordo PS-CDU era o acordo improvável.

Como em todos as acordos, este irá ter consequências politicas, que não sei se os intervenientes estão preparados para pagar.

As incompatibilidades entre PS e CDU são mais que muitas, e vale a pena dizer-se que aquilo que os divide é muitíssimo mais do que aquilo que os junta, que é muito pouco.

 As desavenças e as posições radicalizadas, mesmo extremadas, entre eles, poucas vezes conheceram um limite, e o maior dos exemplos está no mercado do Atrium, onde tanto dinheiro foi enterrado para nada.

Estas diferenças são genéticas e definem identidades muito peculiares de cada um deles. Estão PS e CDU a abrir mão da sua identidade?

Tantos anos de desacordo é improvável que terminem com um passo de mágica. O diálogo faz milagres, mas será que houve um milagre?

O tempo o dirá.

O PSD com tanta pressa em fazer um acordo com os vencedores, corre o sério risco de ser chutado para fora em grande estilo, caso não tenha garantido uma salvaguarda para uma situação como a atual.

Caso contrário, foi um monumental tiro num pé, ou nos dois, e o engolir de enorme sapo vivo. As pressas dão nestas coisas!

O PSD não é preciso para nada neste executivo.

Fez um acordo de governação e agora vai ser oposição. Isto há coisas…

Em boa posição ficaram os movimentos independentes não porque possam influenciar o executivo com as suas propostas, mas podem causar sérios embaraços a PS e CDU.

O +Concelho sempre pautou a sua conduta pelo diálogo franco e construtivo e pelo compromisso que assumimos com os marinhenses e com o concelho.

Um eventual acordo de governação nunca foi para o +Concelho vital, longe disso, era sim o resultado do compromisso com a população em tornar viável, sustentável e duradoira a governação do concelho. Nunca seria um acordo leviano, a qualquer preço, mas com princípios e condições que nos permitissem desenvolver um bom trabalho caso fizéssemos parte da solução governativa.

As nossas propostas para o acordo não foram aceites, mas todos os marinhenses poderão contar com o +Concelho na defesa dos superiores interesses do concelho e no apoio aos munícipes.

Não podemos deixar de desejar, à atual maioria do executivo, votos de um bom trabalho, na certeza que o +Concelho estará sempre disponível para colaborar sempre que seja solicitado, porque esta é a nossa filosofia e porque os munícipes assim o exigem.

O +Concelho será uma oposição responsável, construtiva e proactiva. Como sempre dissemos e repetimos, estamos ao lado dos munícipes e sempre por este Concelho que queremos cada vez melhor, onde viver e trabalhar seja um privilégio.

Rui Silva
+Concelho

Jornal da Marinha Grande, 28 de Novembro de 2013
 

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